Toda direção hospitalar conhece o relatório de glosa. Ele chega meses depois do envio, com uma lista de procedimentos recusados e um prazo curto de recurso. O que quase nenhuma direção tem é o relatório do que foi feito e nunca foi cobrado, porque esse não volta de lugar nenhum.
A subnotificação é estrutural. O registro clínico e o faturamento são feitos por equipes diferentes, com prazos diferentes, e a ligação entre os dois depende de alguém reler o prontuário antes do fechamento. Em unidade com plantão cheio, essa releitura é a primeira coisa a ficar para depois.
As perdas mais comuns
- Procedimento secundário executado na mesma internação e ausente da AIH.
- Órtese, prótese e material especial registrados no prontuário e fora da conta.
- Diária de UTI documentada na evolução e não lançada na competência.
- Erro de preenchimento que se repete todo mês porque ninguém mapeou a causa.
Cada item desses é pequeno isoladamente. Somados numa competência inteira, mudam a linha de receita da unidade e, no caso de hospital contratualizado, mudam também a base de negociação do contrato do ano seguinte.
Conferir antes vale mais que recorrer depois
Auditar a produção com a competência ainda aberta muda o lugar onde o erro é corrigido. Em vez de entrar com recurso sobre um valor já descontado, a equipe ajusta o registro no próprio sistema do hospital e envia a conta certa na primeira vez.
A pergunta que interessa não é quanto foi glosado. É quanto a unidade executou e nunca cobrou.
Comparar o desempenho com hospitais de porte semelhante fecha o diagnóstico. Quando uma linha de produção está muito abaixo da média de unidades parecidas, o problema quase sempre é de registro, e não de volume assistencial. Esse é o tipo de conversa que a direção só consegue ter com o número na mesa.